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Stress, Depressão e Síndrome do Pânico - ​Armas modernas contra inimigos antigos.

April 3, 2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Armas modernas contra inimigos antigos

 

Aperfeiçoamento no diagnóstico permite melhor identificação e tratamento dos casos de Stress, Depressão e Síndrome do Pânico, males se tornaram mais conhecidos a partir dos anos 80.

 

Há menos de dez anos, um paciente que chegasse a um consultório médico se queixando de insônia, taquicardia ou perda de apetite certamente retornaria para casa com um receituário de calmantes e vitaminas. E se, mesmo após a administração dos medicamentos, persistissem os sintomas, o mais comum era que o clínico geral desconfiasse da conduta sem, no entanto, conseguir se aprofundar no diagnóstico. Nesta época, poucos profissionais atribuíram os sintomas a quadros de stress, depressão e – menos ainda – síndrome do pânico, doenças que passaram a ser melhor compreendidas a partir do final da década passada. Como resultado desta “descoberta”, os especialistas garantem que o tratamento avançou de forma significativa nos cinco últimos anos.

 

A dificuldade anterior com o diagnóstico torna impossível fazer um levantamento estatístico da progressão de incidência de stress, depressão e síndrome do pânico (hoje estimadas respectivamente em 50%, 7% a 17% e 2%). Pesquisas realizadas pela Universidade Federal de São Paulo (ex - Escola Paulista de Medicina), Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e Pontifícia Universidade Universidade Católica (PUC) de Campinas apontam um crescimento do número de pacientes com depressão, síndrome do pânico e stress. Isso não quer dizer, no entanto, que atualmente haja mais depressivos ou estressados do que nas décadas de 70 e 80, como apregoam os defensores da tese de que essas doenças constituem “males da vida moderna”. Significa apenas que hoje eles podem ser classificados, em grande medida por que os profissionais de saúde – antes combatentes despreparados contra um inimigo que desconheciam – tornaram-se mais capacitados para avaliar em conjunto os sintomas que isolados pareciam sugerir outras doenças.

 

Ao contrário do que se pensa, doenças não surgiram como contingência da vida moderna.

 

Na opinião dos especialistas ouvidos pelo Bezerra de Menezes, essa constatação derruba de vez o mito muito difundido de que o stress e a depressão representam uma contingência exclusiva dos agitados dias de hoje. Embora fatores típicos da sociedade contemporânea como competitividade no trabalho, desemprego, falta de perspectivas profissionais, escassez de tempo para lazer e relaxamento possam agravar ou desencadear, especialmente quadros de stress e de depressão, essas patologias não nasceram por causa deles. Foram apenas “descobertas” com a vida moderna. “Era muito comum um cardiologista, por exemplo, não conseguir brecar a taquicardia de um paciente em síndrome do pânico, simplesmente porque não sabia nada a respeito da doença”, afirma o psiquiatra Marcos Pacheco Toledo Ferraz, professor titular da Universidade Federal de São Paulo.

 

Se faltava informação a quem deveria tê-la, por força do ofício, entre as pessoas reinava uma completa ignorância. Neste contexto, crises de depressão e síndrome do pânico acabavam sendo associadas a meros problemas de comportamento, fato que deve ter inibido boa parte dos portadores a procurar ajuda especializada. Há sete anos, quando teve a primeira crise de síndrome do pânico, durante um show de rock, a publicitária Cristina Caruso custou a convencer uma amiga de que estava realmente passando mal. “Ela achou que fosse brincadeira. Ao perceber a seriedade, me levou par um hospital, onde permaneci até passarem os sintomas. Na hora os médicos não souberam diagnosticar o que eu tinha. Descobri que era síndrome só um ano depois”, lembra.

 

“O quadro de pânico como síndrome é recente. O que se ouvia falar era de piripaque ou frescura do paciente. Isso também se verificava com a depressão. O doente que não saía de casa era visto pela família como preguiçoso e sem vontade. Como os profissionais não sabiam diagnosticar, receitavam vitaminas que nada ajudavam no tratamento”, avalia o psiquiatra Tito Paes de Barros Neto, supervisor do Ambulatório de Ansiedades (Amban) do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, para quem a discussão entre os meios acadêmicos e a imprensa tem colaborado para a maior divulgação dessas “doenças modernas” de causa, na maioria das vezes, desconhecidas.

 

 

Dados genéticos, psicológicos e ambientais explicam origem da depressão.

 

Segundo Barros Neto, não existe uma causa específica para a depressão. Por este motivo, a expressão cura deve ser substituída por tratamento e controle. “Dados hereditários ou de personalidade, e estressores sociais, como a competitividade no trabalho, podem estar na origem da patologia”, arrisca o supervisor do Amban, fazendo coro com a Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica, que reconhece a influência de uma combinação de fatores genéticos, psicológicos e ambientais no desenvolvimento da doença depressiva.

 

Preocupada com o aumento dos casos, especialmente entre mulheres de meia idade, instituições importantes de controle de saúde em todo o mundo têm procurado conscientizar os clínicos-gerais da necessidade de diagnosticar corretamente a doença. “A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a depressão um problema não só do psiquiatra, mas do médico em geral”, afirma José Alberto Del Porto, professor-adjunto de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo e coordenador do Programa de Atenção às Doenças Afetivas, desenvolvido pela instituição.

 

Um depressivo típico reúne algumas características muito particulares, que podem ser observadas por parentes e colegas de trabalho. Entregue a uma tristeza prolongada, se aparente causa externa, ele normalmente não sente prazer em situações que satisfazem a maioria dos mortais, como, por exemplo, um passeio na praia. Em depressão, o indivíduo, com autoestima baixa, procura o isolamento, acreditando que sua companhia seja um estorvo para todos. Alteração do sono (insônia ou hipersônia), falta ou aumento de apetite, dificuldade para se concentrar ou tomar decisões irritabilidade, dores de cabeça e distúrbios digestivos persistentes são sintomas bastante comuns. Ideias de morte e suicídio também costumam atormentar pessoas em crise depressiva grave. Segundo Barros Neto, cerca de 10% dos deprimidos tentam o suicídio, muitos dos quais deixam cartas de perdão por terem atrapalhado a vida de seus familiares e amigos. “Um dia achei que minha vida não tinha mais sentido. Abri a janela do quarto, pulei e só não morri porque uma laje brecou minha queda. Quando se está deprimida não se sabe bem como as coisas acontecem, a sensação é de que tudo parece estar errado”, revela a empresária E.S., 24 anos (ver depoimento ao abaixo).

 

 “Queria morrer” - "Comecei a me sentir triste de uma hora para outra. Até hoje, depois de tanto tempo, ainda não sei exatamente o que aconteceu comigo. Tinha entrado na faculdade há poucos meses e estava feliz com um estágio na área de administração de empresas. De repente, passei a não gostar do trabalho, a achar que tudo estava dando errado. Brigava com meus pais, acreditando que eles não gostavam mais de mim. Quando se está deprimida, não se sabe bem o que se fala nem porque as coisas acontecem. Achava que todos estavam contra mim, sentia que atrapalhava a vida de todo mundo. Não queria mais sair e meus amigos começaram a estranhar. Iam na minha casa, tentando me puxar para algum programa. Não tinha vontade de fazer nada. A situação piorou e, um dia, achei que minha vida não tinha mais sentido. Abri a janela do meu quarto e saltei. Não morri porque logo abaixo da janela tem uma laje que brecou a queda. Fiquei muito machucada. Só então procurei auxílio de um médico, que me receitou antidepressivos. Melhorei muito lentamente com o auxílio de terapia. Hoje estou liberada dos remédios. Nem o médico nem eu nos sentimos seguros para suspender o tratamento. Estou casada e quero me sentir bem para programar um filho”. - E.S., 24 anos, empresária.    

 

Tratamento requer combinação de terapia com medicamentos antidepressivos.

 

O primeiro passo para o tratamento é a realização de exames físicos e psicológicos, que visam detectar a existência da doença depressiva, o tipo e o estágio de manifestação. Na maioria dos casos, o psiquiatra opta por receitar medicamentos antidepressivos, potentes inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina, substâncias químicas produzidas no cérebro responsáveis pelas sensações de prazer. Como boa parte dos sintomas da doença reflete-se no comportamento de seu portador, não raro ele acaba procurando primeiro a ajuda especializada de um psicólogo. A psicoterapia também é recomendada para os casos de depressão. Segundo os especialistas consultados pelo Bezerra de Menezes, alguns pacientes melhoram apenas com atenção psicoterápica, outros só com antidepressivos.

 

Uma justa e adequada combinação de ambos parece ser a melhor fórmula. Para os quadros mais graves, em que o paciente apresenta risco de vida ou não pode tomar antidepressivos, recomenda-se ainda a aplicação do eletrochoque (ECT), sob efeito de anestesia, para evitar a dor.

 

O supervisor do Amban afirma existir ainda uma modalidade de depressão mais leve, denominada distimia. Embora os sintomas sejam similares aos da depressão grave, a sensação de tristeza e a oscilação de humor se mostram menos acentuados. “Nesse estágio, a ideia de suicídio inexiste. Mas o paciente é perseguido por um sentimento de que nada dá certo em sua vida”, explica Barros Neto. Pessoas com distimia – esclarece o psiquiatra - acreditam que as coisas boas representam uma obrigação e não um merecimento.

 

 

 

Terapia alternativa funciona?

 

Cada vez mais especialistas garantem que sim: a terapia alternativa pode ser um instrumento complementar no tratamento de doenças como depressão, stress e síndrome do pânico. Há três anos, o BEZERRA utiliza tinturas de ervas e florais em pacientes com quadro depressivo. Na avaliação do psiquiatra João Lourenço Chinaglia Navajas, diretor técnico da Instituição, este modelo classificado como “terapia coadjuvante” vem mostrando bons resultados. Baseado nos florais de Bach, já bastante conhecidos na medicina homeopática, o método foi adaptado à realidade brasileira p elo pesquisador Joel Aleixo presidente do CIV – Centro de Integração da Vida.

 

Segundo Navajas, as tinturas, provém de um caldo extraído artesanalmente sem uso de equipamentos, de plantas de reconhecido poder medicinal, cujo plantio e colheita obedecem a fatores específicos como, por exemplo, as fases da lua. Já os florais – explica – assemelham-se a um chá retirado de fores ou plantas floridas especiais. “Aplicamos as tinturas quando o paciente está em surto e os florais, na sequência do tratamento. Temos observado bons resultados em pacientes que só saiam da depressão com eletrochoque. As ervas revelam excelente potencial no auxílio aos remédios alopáticos que, é claro, continuam a ser ministrados”, afirma o psiquiatra.

 

A acupuntura também está entre as terapias alternativas mais procuradas por aqueles que sofrem especialmente de depressão e stress. Reconhecida pela classe médica há um ano, embora seja exercida no país há mais de 90, esta técnica chinesa de 4.000 anos, parece cada vez mais aceita entre os brasileiros.

 

O tratamento de acupuntura consiste na introdução de finíssimas agulhas de um terço de milímetro em, no máximo, um centímetro de profundidade da pele.

 

Os pontos de aplicação são estabelecidos pelo terapeuta conforme as queixas do paciente. “No caco da depressão, ativamos o fígado, que é responsável, segundo a medicina chinesa, pelos estados de melancolia e irritabilidade.

 

 

Trabalha-se também o coração, responsável pela alegria e tristeza, e o pulmão, que comanda as sensações de angústia e ansiedade”, explica Wu Tou-Kwang, presidente da Associação Nacional de Acupuntura, com sede em São Paulo.

 

Em seu consultório o acupunturista Tou-Kwang não dispensa o complemento dos florais e também de farmacoterapia especial para pacientes que não dispõem de tempo para as sessões de agulhas, preferindo o tratamento à distância. Segundo ele, esta terapia inclui medicamentos específicos, baseados em plantas medicinais e fórmulas, conhecidas como magistrais, que podem conter matéria prima animal e mineral. “São receitas que estabilizam as funções mentais e nutrem o cérebro”, completa. Aos que combinam a eficácia da medicina alternativa, atribuindo-lhe um caráter de mistificação, Tow-Kwang envia um recado: “Existe hoje uma inversão de valores.

 

Somos mais antigos e continuamos tendo que provar o conhecimento que utilizamos com êxito há milhares de anos”. Para a Abrape – Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas, uma análise da síndrome do pânico sob a óptica espírita pode representar uma nova contribuição ao tratamento da doença. Segundo a presidente da entidade, Ercília Pereira Zilli Tolesano, os sintomas da crise se manifestam em centros de força apontados por pesquisadores espíritas como “instrumentos desenvolvidos no corpo espiritual com a finalidade de realizar as adequações devidas entre os aspectos interiores e exteriores da realidade espiritual do ser imortal”. Em outras palavras.

 

Significam meios de evolução do homem. “Quando a transformação é brecada. Reflete-se em algum ponto do corpo”, diz Ercília.

 

De acordo com a psicóloga, os centros de força atendem pelos nomes de coronário (cabeça), cerebral, laríngeo, cardíaco, explênico (região do abdómen), gástrico e genésico (genital).

 

Estes pontos – conforme estudos da Abrape – coincidem, por exemplo, com a taquicardia, tontura e nó no estômago, algumas das sensações descritas por pessoas que já tiveram crise do pânico. “Se o indivíduo que sofre da síndrome se conscientizar da origem de sua doença poderá continuar seu processo de crescimento”, prega.

 

“Fui obrigada a parar de trabalhar” - “Meu stress começou quando resolvi fazer um regime. Era gordinha e sofria muito com isso. Comecei um regime a base de remédios e consegui emagrecer em pouquíssimo tempo. Todos no meu trabalho elogiavam minha força de vontade. Com medo de voltar a engordar, não me alimentava direito. Às vezes, passava o dia comendo bolacha de água e sal, ou um tablete de chocolate. Trabalhava cerca de 12 horas por dia, estudava à noite e não descansava. As vitaminas começaram a se tornar escassas e minha energia também. Comecei a ter tonturas, mas insisti em continuar minhas atividades. Meu chefe diminuiu minha carga de atividades, pois havia dias que não conseguia sequer manter os olhos abertos. Os mesmos colegas que um dia me elogiaram, perceberam que algo não ia bem comigo e insistiam para que eu comesse melhor e procurasse um médico. Não ouvi nenhum conselho. Teve um dia que não consegui levantar da cama. Estava exausta, embora tivesse dormido a noite toda. Minha mãe me levou ao médico, pois não conseguia dirigir, e fui internada na mesma hora. Fiquei hospitalizada um mês e mais 30 dias de licença. Tomei muitos remédios e hoje sei que passei por uma crise aguda de stress. Minha vida mudou, mas foi preciso que meu organismo me desse este alerta”. - A.S.M., 30 anos

 

Medo de uma repetição a crise caracteriza síndrome do pânico.

 

A primeira crise vem quando menos se espera em locais e situações insuspeitos. Pode ocorrer na fila de banco ou durante um banho de piscina com amigos. À sensação inicial de falta de ar e sufocamento, seguem-se palpitações, dores no peito, tontura, formigamento, ondas de calor e frio, sudorese e sinais preliminares de um desmaio. O surto costuma durar de cinco a trinta minutos. Mas para quem vive a experiência, além de longos e intermináveis, eles parecem os últimos.

 

A probabilidade de que hoje um médico identifique neste quadro uma crise de síndrome do pânico é consideravelmente maior do que há cinco anos. O conhecimento mais apurado sobre a doença e sua peculiar manifestação permite ao profissional utilizar de indicadores de diagnóstico bem mais preciosos: a presença de quatro dos sintomas mencionados caracteriza uma crise, quatro crises em um mês configuram a síndrome.

 

Como a depressão, sabe-se pouco ou quase nada a respeito da causa do pânico. De acordo com Toledo Ferraz, da Universidade Federal de São Paulo, a síndrome afeta com mais frequência mulheres jovens, o que não quer dizer que os homens estejam imunes. Os efeitos comportamentais mais graves acontecem após a primeira manifestação da doença, quando o indivíduo começa a sentir medo da repetição da crise. Trata-se de um medo, à primeira vista, incontrolável, incontrolável. Se a primeira crise ocorrer, por exemplo, dentro de um carro, o portador da síndrome certamente não voltará a dirigir tão cedo. Pode haver ainda um agravante, conhecido como agorafobia: com medo de ter medo, o paciente não consegue ficar sozinho para as mais simples tarefas diárias, como tomar banho ou dormir. Em alguns casos, a depressão se instala para fazer companhia ao pânico, desencadeada muitas vezes por que o indivíduo não obtém a esperada melhora rápida da síndrome. “Muitas pessoas acham que é fricote porque só vêem a nossa aparência. Mas ainda hoje, em três anos de tratamento, não me sinto segura de ficar sozinha em casa com receio de uma nova crise”, relata a fotógrafa M.M., 28 anos.

 

Tratamento à base de terapia comportamental apresenta bons resultados em 80% dos casos.

 

Longa jornada em busca de reaprender a viver sem medo, o tratamento inicia-se com uma conversa sobre o pânico e suas implicações. Medicamentos inibidores da receptação de serotonina são recomendáveis. “Não como simples calmantes, mas verdadeiros reguladores do funcionamento cerebral”, afirma o psiquiatra Cyro Masci. Acalmada as crises, passa-se ao enfrentamento programado da situação geradora da fobia. O terapeuta deve propor ao paciente um retorno gradativo à vida normal. Se está com medo de dirigir, ele é incentivado a liga o carro em um determinado dia, tirá-lo da garagem em outra ocasião e, mais adiante, guia-lo pelo quarteirão de casa, até que elimine o medo e deixe de associar a crise ao veículo. “Em cada etapa, avaliamos com o paciente o grau de ansiedade envolvido em cada tarefa. Se necessário, aumentamos ou diminuímos o ritmo. O ideal é trabalhar todos os medos, um de cada vez. Obrigar uma pessoa a descer dez vezes de elevador não a fará perder o medo dele ou deixar de subir as escadas”, avisa o psiquiatra Toledo Ferraz.

 

Há quem defenda que só os remédios ou a terapia isoladamente são suficientes para conter a síndrome e suas crises. A opinião da maioria dos médicos indica que, também neste caso, os melhores resultados terapêuticos decorrem da combinação dos recursos. “Aplicada corretamente, a terapia, com o suporte medicamento produz melhora acentuada ou redução total dos sintomas em 80% dos casos. Mas recomendo apenas terapia comportamental. A terapia comum pode até piorar o quadro”, adverte Masci.

 

O tratamento – segundo Masci – dura, em média, de seis meses a um ano.

 

Dependendo da evolução dos trabalhos, o médico pode retirar gradualmente o medicamento. “Um terço dos pacientes consegue viver sem medicação e sem crises, um terço consegue ficar sem remédio e tem crises esporádicas. O restante precisa usar permanentemente a medicação. O importante é convencer o paciente sob medicação de que, apesar de desagradável, o pânico não é perigoso”, finaliza Toledo Ferraz.

 

Em doses moderadas stress pode até trazer benefícios para o organismo.

 

Há pouco mais de dez anos, o termo “stress” incorporou-se ao vocabulário nacional como sinônimo – não completamente adequado – de cansaço. Executivos com jornadas de 14 horas, atletas e final de temporada e técnicos estafados com cálculos e planilhas passaram a se autodenominar estressados em virtude da fadiga física e mental provocada por suas atividades profissionais. Stress, no entanto, não significa necessariamente um mal, muito embora possa gerar, em diferentes estágios, efeitos negativos sobre a saúde das pessoas.

 

“Stress é uma reação frente a qualquer evento que exija adaptação do organismo. Pode ser benéfico em doses moderadas, produzindo adrenalina e dopamina, substâncias que nos dão vigor, energia e entusiasmo. Mas se o organismo não tiver condições de se recompor, ele se transforma em angústia e começa a trabalhar contra a saúde, colocando em risco a qualidade de vida do indivíduo”, afirma Marilda Novaes Lipp, coordenadora do Centro de Controle do Stress e do Laboratório do Stress, da PUC Campinas (SP).

 

Segundo Marilda, o stress vem crescendo entre mulheres e, principalmente, crianças. As razões são de ordem comportamental. Ao acumular as funções de dona de casa com as profissionais a mulher se sobrecarregado cada vez mais no cumprimento de seus papéis sociais. Muitas crianças, por sua vez, acabam se tornando vítimas de pais competitivos, que querem criar geniozinhos, substituindo a brincadeira por agendas lotadas de compromissos.

 

“Já atendi crianças estressadas que só podiam falar comigo depois das 20 horas, porque tinham escola, inglês, tênis, música e um dia inteiro de atividades. Criança precisa é brincar”, espanta-se Marilda.

 

Empresa adota programa anti-stress

 

Empregados com depressão, stress e síndrome de pânico são tão preocupantes quanto, por exemplo, alcoólatras e fumantes, pois, além de produzirem abaixo de seu potencial, acabam muitas vezes contaminando o grupo no ambiente de trabalho. Esta é a opinião do médico Joel de Melo Franco, diretor de saúde da Dow Química.


Preocupada com o problema, a empresa vem desenvolvendo, há cinco anos, programa de qualidade de vida no escritório de São Paulo e em suas filiais de Franco da Rocha de Guaratinguetá (SP), Itajaí (SC) e Aratu (BA). Denominado “Vivavida”, o conjunto de atividades tem como objetivo principal promover a saúde e a qualidade de vida dos funcionários da Dow. Além de realizar campanhas contra o fumo, álcool e drogas, uma equipe de profissionais coordena um programa antistress, baseado no exercício de atividades físicas dentro das unidades e na reformulação do relacionamento do empregado coma s máquinas. “A ideia é tornar a convivência profissional mais gostosa e humana”, afirma Melo Franco. O programa que, segundo o diretor, custa U$ 50 anuais por funcionário, dispõe de um comitê interno de saúde, formado por médicos e técnicos RH, benefícios, engenharia industrial, segurança, comunicação e operações. “É m benefício reconhecido por todos. Ganham os empregados, ganha a empresa”, festeja.


E ganhar, neste caso, não é apenas força de expressão. Em 1996, o “Vivavida” recebeu o Prêmio Nacional de Qualidade de Vida, concedido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida, concedido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida. Criada há um ano, a ABVQ assessora empresas e pessoas físicas na promoção de mudanças organizacionais que visam a melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho. A Dow foi escolhida a partir de um estudo minucioso envolvendo outros programas de empresas brasileiras, que incluiu o preenchimento de questionários e a visita, sem hora marcada, de técnicos da ABVQ. “No papel, todas as organizações têm programa. Mas, na prática, poucos funcionam. Por isso, visitamos as empresas e conversamos com os funcionários explica Maria Teresa Piccolo Ripari, coordenadora da ABVQ.

 

Alerta, resistência e exaustão são os três estágios dos stress

 

De acordo com a coordenadora do Laboratório do Stress, esta doença tem duas origens. Uma encontra-se na realidade externa. Um indivíduo pode desencadeá-la a partir uma situação traumática de desemprego, assalto ou crise financeira. A outra fonte, de caráter interno, está relacionada as particularidades da personalidade, como as do perfeccionista que precisa ser bom em tudo o que faz, exigindo-se sempre um melhor desempenho. O organismo reage a esses fatores em três estágios: alerta, resistência e exaustão.

 

Na fase de alerta, a adrenalina produzida no cérebro torna a pessoa mais preparada para enfrentar situações difíceis com força e entusiasmo. Taquicardia, tensão muscular, boca seca, aperto no estômago, mãos frias e suadas constituem alguns sintomas físicos importantes.

Se não houver controle, o stress avança para uma segunda etapa, a da resistência, que se caracteriza pela falta de memória, a sensação de desgaste generalizado e problemas como gastrite, hipertensão arterial, herpes, dermatites e vitiligo. A depressão também pode ser desencadeada nessa fase do stress.

 

Terceiro e último estágio, a exaustão ocorre quando o indivíduo não dispõe mais de energia, perde completamente a concentração e fica incapacitado para o trabalho. Fo o que aconteceu com a jornalista A.S.M. 30 anos.

 

“Um stress adquirido durante um regime de emagrecimento me afastou do trabalho por 60 dias. Fiquei internada por um mês”, lembra. Na maioria dos casos, o quadro exige mesmo hospitalização. Há inclusive notificação de casos raros de morte súbita. “A cura para o stress nas duas primeiras fases resume-se a terapia, para manter uma atitude positiva per ante a vida, e reeducação de hábitos”, recomenda Marilda. Para psicóloga de Campinas, as mudanças devem começar com a alimentação. Comer verduras – ricas em Complexo B, magnésio – cruas ou feitas no vapor, auxilia na reposição de energias. Relaxar também é preciso: exercícios de respiração, bate-papo com amigos, música e uma boa leitura podem processar verdadeiros milagres na recuperação de uma pessoa estressada. Exercícios físicos são absolutamente necessários. Depois de 30 minutos de atividade, o corpo humano libera uma substância chamada beta morfina, que produz sensação de tranquilidade e bem-estar.

 

A Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica recomenda, para prevenção de stress, que as pessoas saibam reconhecer seus limites. Sempre que se estiver diante de um problema de solução impossível, o melhor a fazer é não luar contra ele.  Um dos melhores meios de combater o stress – sugerem os médicos da SBPsC – está na organização das atividades do dia-a-dia e na criação de um ambiente calmo para se viver.

 

"Descobri há três anos” - “Tive a primeira crise de síndrome do pânico há cinco anos. Estava assistindo tevê quando comecei a sentir taquicardia e a sensação de que minha pressão estava baixa. Tremia e sentia contrações no braço e língua adormecida. O desespero foi total. Pensei que fosse alguma reação ao prolapso da válvula mitral, um problema que tenho há anos. Fui ao médico e ele me disse que esse problema não causava esses sintomas e que eu estava precisando descansando. Passou alguns fortificantes e, por conta própria, comecei a fazer terapia. As crises continuaram e só depois de um ano e meio após a primeira crise, alguém me disse que um parente sentia s mesmas coisa que eu. Fiquei aliviada com a descoberta, pois outra pessoa poderia saber o que eu tinha. Fui encaminhada a um profissional e descobri que tinha dois fatores complicadores: agorafobia e depressão. Não podia ficar sozinha em público e as tarefas mais simples me deixavam ansiosa. Até deixei de come r, pois imaginava que poderia engasgar com a comida e morrer. Comecei o tratamento e durante três anos tomei fluoxetina. As crises pararam, mas ainda hoje não realizo algumas tarefas, como andar de ônibus ou de avião. Em certa oportunidade, fui obrigada a andar de helicóptero para fazer fotos. Consegui e fiquei muito feliz. Por esse e por diversos outros motivos, parei com a medicação sem que meu médico soubesse. Continuei com a terapia e consegui ficar sem remédio durante seis meses. Em março último as crises voltaram. Descobri que a pior coisa que fiz foi retirar, por conta própria, minha medicação. Tentei florais e acupuntura, métodos que me ajudaram, mas que não conseguem, por si só, curar um paciente no meu estado. Hoje estou reaprendendo a viver. É muito difícil. Às vezes dá um baixo astral porque você tenta e não consegue fazer certas coisas. Outro dia, você fica feliz porque conseguiu fazer determinada atividade. É tudo muito lento. Tenho o apoio da minha família. Minha mãe, que é a pessoa mais presente nesse momento da minha vida, tenta saber ao máximo, por meio de livros e em consultas médicas, como pode me ajudar. Muitos ainda pensam que é fricote, porque vêem apenas minha aparência. As pessoas mais chegadas aprenderam a conviver comigo e a não deixar suas vidas paradas. Meus pais sabem que não estarão ajudando - nem atrapalhando – se saírem e me deixarem sozinha. Peço o telefone de onde eles vão estar e, assim, a gente consegue contornar a situação. Às vezes, ligo para um amigo para que venha ficar comigo”.

M.M., 28 anos, fotógrafa. 

 

Matéria retirada da revista "Mind" - Ano II - N:9 - Janeiro/Fevereiro 1997.
Revista Mind é propriedade de Centro de Tratamento Bezerra de Menezes.

 

 

 

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